Coletivo Heróis do Cotidiano

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Os Heróis do Coitidiano é um coletivo de performance natural do Rio de Janeiro, com sede mais precisamente na Praça São Salvador, Flamengo. Seus integrantes são amigos artistas, professores, performers, etc. Realizam com bastante frequência intervenções urbanas com o objetivo de fazer com que as pessoas pensem em determinadas coisas que podem até ser corriqueiras mas que muitas vezes são muito importantes e não tem o seu devido respeito ou reconhecimento, como o conversar com outros na rua, dar risadas, falar sobre o amor e também algumas críticas feitas pelo coletivo teatral. Eles tem vínculo com a UNIRIO, sendo Tania Alice professora e coordenadora do projeto de pesquisa feito pelo coletivo. Chegaram a ganhar prêmio da Funarte “Artes Cênicas de Rua”, 2009.

Uma de suas performances foi a chamada “Salvar os Ricos”:

“SALVAR OS RICOS foi o nome da segunda intervenção urbana, realizada no dia 25 de outubro, nas ruas do Leblon, partindo do Restaurante Garcia & Rodrigues as 9:00 em pequenos grupos, com um encontro marcado na Praça Antero de Quental as 10:00 para a Manifestação dos Ricos, que foi até o shopping Leblon. Nesta intervenção, que aconteceu 5 dias antes do segunda turno das eleições para Presidente, os performers, vestidos com roupas que transmitiam uma idéia de riqueza, desfilaram reivindicando questões tradicionalmente associadas as preocupações de ricos, como segurança e preservação do patrimônio (entre outros), lançando assim um olhar irônico sobre a falta de preocupação de determinados grupos a lutar contra a questão da desigualdade social. Munidos de cartazes e faixas como “Praias da Zona Sul, só para moradores e turistas” ou “Fome é coisa de pobre, diga sim à degustação”, ou ainda “Sonegar não é crime: não usamos serviços públicos”, os performers estabeleceram um diálogo irônico com os moradores e os convidaram para participar da manifestação. No final da ação, os cartazes permaneceram em alguns pontos estratégicos do Leblon. Partindo de um conceito de “Manifestações de direita”, desenvolvido pelos franceses Fred Tousch et Philippe Nicolle e do qual muitos coletivos e artistas de rua se apropriaram, a performance “Salvar os Ricos” buscou provocar uma reflexão sobre o egoísmo social de certas reivindicações antes do dia crucial das eleições, mantendo uma ambigüidade constante sobre a veracidade de tais reivindicações.”

 

 

Performance “Cegos”

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Hoje (05.12.2012), o “Coletivo Pi” e o “Desvio Coletivo” (que tem como diretores Marcos Bulhões e Marcelo Denny, professores da Escola de Comunicação e Artes da USP), realizaram uma performance pela Avenida Paulista, como já havia acontecido anteriormente.

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Vestidos como executivos e executivas, dezenas de pessoas cobertas de argila caminharam pela Avenida, mostrando de forma artistica diversas questões da vida cotidiana, como explicitado no blog Desvio Coletivo: “o aprisionamento e a petrificação da vida por meio do excesso de trabalho, a automatização da vida cotidiana, a degeneração ética que se instaurou no eixo politico, financeiro, jurídico e religioso da sociedade”.

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A inspiração parte do quadro “A Parábola dos Cegos” (1580), de Pieter Bruegel (abaixo):

A proposta visual da performance Cegos faz uma crítica à condição massacrante característica de todo tipo de trabalho corporativo iconizado no terno e gravata usados pelos homens e no terninho ou tailleur adotado pelas mulheres em toda grande metrópole. O título da ação é inpirada no quadro “A Parábola dos Cegos”, de Pieter Bruegel (1580), em que se vêem cegos conduzindo cegos, cada qual tentando encontrar algum apoio para avançar pelo caminho.

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A Parábola dos Cegos (Pieter Bruegel, 1580)

Enxergamos um Conflito Social representado por estes, uma vez que, enquanto os donos de grandes empresas – não apenas estes, evidentemente -, procuram sempre o trabalho árduo e contínuo, o povo procura tempo para atividades cotidianas, tendo que, muitas vezes abdicar de pequenos – e também dos grandes – prazeres. Também há a relação com a degeneração da ética, colocada acima.

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Agora, a Performance parte de São Paulo para o Rio de Janeiro (onde o Coletivo Heróis do Cotidiano, que possui diversas Performances super interessantes, também participará).

Mais informações em:

Coletivo Pi

Desvio Coletivo

 

Segue uma música que também ilustra a rotina exaustiva do trabalho, d’ Os Paralamas do Sucesso:

(PS.: Os autores – Luana Homma e Lucca Tori – sentem-se muito mal por terem perdido tal performance, e se sentem pior ainda por terem apenas tomado conhecimento três horas depois de encerrado o ato)

Grafite: Uma Expressão de Conflitos Sociais

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Grafite é o nome dado às inscrições feitas em paredes, desde o Império Romano. Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade. Por muito tempo visto como um assunto irrelevante ou mera contravenção, atualmente o grafite já é considerado como forma de expressão incluída no âmbito das artes visuais, mais especificamente, da street art ou arte urbana – em que o artista aproveita os espaços públicos, criando uma linguagem intencional para interferir na cidade. Entretanto ainda há quem não concorde, comparando o grafite com a pichação, pois em diversos países ambos configuram crime de Vandalismo quando realizados sem a devida autorização, tanto em propriedade pública, quanto privada.

O grafite é um ótimo exemplo de para a expressão de diversos conflitos que diferentes grupos sociais tenham, sejam eles internos ou externos, que estão totalmente ligados aos diferentes tipos e estilos dos mesmos.

Abaixo, uma pequena coletânea dessa arte urbana, ao redor do mundo.

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Fonte: Banksy Official WebSite

Tolerância Zero: conflitos sociais interiorizados

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Lucca Amaral Tori, Luana Homma e Caio Biz

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Danny é um jovem rapaz estadunidense, que sai de casa vestindo coturnos nos pés e de cabeça raspada, encontrando, em seu caminho, outro jovem – um judeu. Assim começa a história da personagem que se diz abertamente neonazista, evidenciando em público sua crença no que diz ser a: “superioridade caucasiana”. Danny coloca o ódio por judeus como algo natural e inerente aos seres humanos – mostrando sua crença de que judeus não se enquadram como tal – e inclui uma explicação sexual para tal “inferioridade”.

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Vestindo a suástica (símbolo utilizado pelo partido nazista na Alemanha), Danny esbarra propositalmente em duas pessoas negras.

O interessante e diferencial deste filme – que, como tantos outros mostra um conflito histórico entre a extrema-direita, antisemitas, e os judeus – é que este aborda o tema do neonazismo com um conflito individual e interno, da personagem Danny Balint – um judeu neonazista – que ao mesmo tempo que demonstra acreditar na “supremacia branca”, tem ainda respeito por símbolos judeus. Durante todo o filme, ouvimos vozes e observamos flashes de memória, que destacam a racionalidade do protagonista desde criança, que inconformado com certas colocações em sala de aula sobre a questão religiosa e seus ensinamentos, é por vezes reprimido pelo professor e pelos colegas. Danny então demonstra em sua história um forte descontentamento com os seguidores do judaismo que para muitas ações não tinham motivos aparentes ( como explica para sua namorada: “Eles não fazem por temer a Deus, não fazem por motivos racionais, o fazem porque é como manda a Torá”).

Em reunião de um grupo de senhores que se declaram fascistas (colocando como explicação a questão econômica, dos problemas do livre mercado), Danny e alguns amigos aparecem, expressando a questão racial como barreira para o desenvolvimento, incluindo que uma das ações deles deveria ser matar um judeu (um rico dono de banco).

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Danny e outros crentes na “supremacia branca”

Após causarem uma grande briga, Danny e alguns amigos – também neonazistas – começam a participar de grupos de discussão, de senhoras e senhores que tem algum grande trauma na vida – como pena alternativa à prisão. É neste ponto que o protagonista começa a demonstrar sensibilidade, quando, em determinado momento, um judeu sobrevivente das atrocidades do governo nazista no período da II Guerra Mundial, conta uma triste história sobre como os brutais oficiais da SS pegaram seu pequeno filho de suas mãos e o empalaram da maneira mais fria possível, deixando que o sangue de toda essa brutalidade jorasse em seu rosto. Danny ao ouvir essa história mostra-se comovido, mas demonstrando de maneira diferente, se mostra muito mais bravo com os Judeus – nesse caso específico retratado pela história desse senhor – pois este não fez nada enquanto o soldado matava o filho, não tentou lutar para evitar esse estrago.

O protagonista realmente sentiu a brutalidade da história e do fato de terem matado a criança dessa forma, mas ao invés de direcionar esse ódio ao soldado hitlerista que o fez, ele o concentrou nos judeus, pelo que estes “não fizeram” – criando mais pontos para fortalecer seu ódio contra esses, explicitando esse sentimento ao dizer: “mate o inimigo independente do lado em que estiver”, sendo essa a sua lei maior. Essa história foi tão forte ao protagonista, que em diversos momentos do filme, quando este se via triste, mal ou confuso, ele se enxerga participando da história, fazendo o papel do soldado nazista assassino. Também é nessa cena que ele diz não negar o Holocausto, mas o afirma de forma honrosa, exaltando Hitler como herói exatamente por ter acabado com a vida de tantos Judeus.

Outro momento em que o conflito interno relacionado com sua sensibilidade ocorre por suas atitudes externas, é quando Danny, junto de seu grupo de amigos neonazistas, invadem uma sinagoga e começam a depredar tudo por dentro. Porém, quando o grupo encontra uma sala mais específica com alguns símbolos judeus mais fortes – roupas, mantos, objetos, etc. – Danny não se mostra tão seguro com a situação, principalmente quando encontram um Torá – livro sagrado em hebraíco – que dentro da religião e de todo o seu símbolismo, não deixa que as pessoas encostem com as mãos seus escritos, nem que ajam de maneira subversiva sob ele. O protagonista passa a contar a história desse símbolo aos seus comparças, mas esses não se importam, ele demonstra claro ódio aos colegas por nem conhecerem o próprio inimigo, mas mesmo assim esses vão com todo o desrespeito rasgar folhas do Torá. Danny, mesmo com todo o ódio que demonstra sentir ao povo Judeu, sua ideologia de superioridade ariana e contrária aos pressupostos e seguidores da religião hebraica, não consegue se desvincular desse respeito a certos símbolos, e por isso acaba levando o Torá para sua própria casa e o reconstrói, com todo o respeito – ainda levando sua ideologia nazista consigo, tornando seu conflito interno cada vez mais intenso.

Ódio de Danny  e a reação violenta dentro do próprio grupo de neonazistas

Podemos ver com o decorrer da história os conflitos se agravarem, tudo na forma da própria personagem, que ao mesmo tempo que expõe para outras pessoas o motivo de odiarem judeus, em sua casa persiste com certos rituais da religião, mostrando se sentir protegido enquanto o faz. Em diversos momentos, como quando o protagonista discursa em uma reunião de pessoas de extrema-direita, e inicia com uma oração judaica, colocando que a arma para acabar com o povo judeu seria não o ódio, mas o amor, uma vez que este povo está acostumado com o sofrimento, e com ele se fortalece; ou como quando erra o tiro destinado ao judeu bancario ao qual se referia no início do filme, Danny se mostra em dúvida acerca de suas convicções.

Ao fim, demonstrando o fim da negação de sua crença, Danny se vê na mesma cena da história do senhor, mas agora como o judeu, aquele que sofre ao ver o filho sangrar nas mãos do oficial da SS. E em ato maior ainda de redenção, Danny avisa os judeus da sinagoga onde fazia a oração da existência de uma bomba no local, e de lá não sai.

Assim, em um filme que retrata basicamente a história de um homem, vemos refletida a história de diversos, de um grupo que, por sua religião foi por vezes perseguido – e que, em discussão, pelo filme, também atacou outros grupos, como os palestinos -, e de outro que por questões ideológicas – “morais” como, por vezes, colocam; ou econômicas – persegue o primeiro, bem como Danny fez, em uma perseguição constante dele próprio.

Outro filme que também mostra conflito semelhante (mas voltado mais para a questão dos neonazismo e os negros), de forma muito interessante é A Outra História Americana (American History X, EUA, 1998, 119min), com Edward Norton e direção de Tony Kaye.

Conflitos Sociais nas performances de “The Yes Men”

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O grupo “The Yes Men”, já citado anteriormente no blog, nos traz uma reflexão bem interessante sobre Conflitos Sociais, de diversas maneiras:

Primeiro, o grupo nos mostra um conflito de ativistas e grandes indústrias – colocando a questão da exposição de grandes desastre envolvendo estas, e o comportamento de censura das mesmas -;

Mike Bonnano em depoimento para a BBC, se passando por acessor da empresa que comprou a DOW Chemicals, responsável pelo desastre em Bhopal

Também fica visível o conflito entre a população de Bhopal e a Indústria Dow Chemicals, que não arcou com as consequências desastrosas de um acidente em uma fábrica na cidade indiana.

Caveira dourada feita pela dupla, representando a aceitação de riscos de vidas por empresas, se o lucro for grande o bastante.

Ainda no filme fica claro o conflito entre a população de New Orleans, que sofreu com o furacão Katrina, em 2005, e o governo, que em detrimento do bem-estar desses cidadãos, entregou para empresas privadas habitações populares, privatizando-as.

A performance da dupla, demonstra falhas econômico-sociais, de forma a criar conflitos, dando visibilidade para conflitos sociais maiores, de grupos que por vezes, não tem voz na grande mídia.

Para saber mais visite: http://theyesmen.org/

Conflitos no caso Pussy Riot

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Como pudemos ver durante a aula de Conflitos Sociais, o termo ‘Conflitos Sociais’ que passa pelas nossas cabeças, de imediato, como algo negativo, destrutivo ou de instabilidade, não é completamente assim. Corretamente o termo é colocado como uma relação social com funções positivas para a sociedade num geral, mas isso desde que sua potencialidade destrutiva e desintegradora consiga ser mantida estabilizada. Conflito também pode ser uma forma de interação de indivíduos, grupos, organizações e coletividades que implica em choques para o acesso e a distribuição de recursos escassos. Ou seja, na realidade não é tão difícil relacionar o termo como algo complicado ou até negativo, pois interesses diversos em locais que podem culminar em diferentes conflitos, dificilmente consegue-se resolver isso pacificamente, ou pelo menos os casos não pacíficos são muito mais “barulhentos” normalmente, por isso ficamos com essa sensação. O caso da do Grupo Pussy Riot que entrou em uma catedral Ortodoxa em Moscou, capital da Rússia, entoando uma “Oração Punk” – uma performance política crítica ao presidente russo Vladmir Putin – é um bom exemplo. (ver com maiores detalhes em: https://luccatori.wordpress.com/2012/10/25/pussy-riot-protestos-na-russia-contra-presidente-putin/).

No caso o Pussy Riot é um grupo artístico, comumente considerado como uma banda punk – mas são além disso como dito em post específico citado anteriormente – que tem no histórico críticas políticas, e gostam de demonstrá-las de maneira mais expressiva e difundida possível – o caso da Catedral foi o maior, gerando furor em diversas regiões do mundo. A Performance feita tinha como objetivo impactar o local mesmo, para que pudesse gerar conflito fazendo essa questão que não agradava o grupo – e grande parte da população russa-  pudesse ser colocada em debate, algo que estava cada vez mais difícil. O caso principal é contra o governo do atual reeleito presidente russo Vladimir Putin, para muitos as eleições foram fraudulentas e seu governo é altamente corrupto – manifestações de milhares contra o atual governo são constantes no país, e a repressão cada vez maior.

 

 

O conflito especificamente da Pussy Riot era pra ser de Indivíduos – elas como grupo Pussy Riot – contra uma organização, que seria o governo – (Também poderíamos dizer ser um grupo, se o Pussy Riot estiver representando o grupo da população descontente, contra uma organização que seria o governo mesmo), mas por terem feito dentro de uma Igreja Ortodoxa, um grande número de fiéis foi contra o grupo por acharem ser um desrespeito a fé deles e a religião. O grupo falou diversas vezes que o propósito não era religioso, mas sim político; de qualquer forma o conflito que tinham uma direção acabou abrindo para mais, podendo nos mostrar que Conflitos são complexos e não podemos pensar que ações inesperadas possam ser excluídas. De qualquer forma, por ter culminado em diversos conflitos diferentes, e com ajuda das tecnologias, esse conflito conseguiu ser difundido e atingir expressão que elas nunca imaginariam, algo que poderia não acontecer se tudo não tivesse ocorrido da forma que foi, um conflito complexo e de certa forma simbólico, para uma questão muito maior que é o da população questionando princípios da democracia em um país que constitucionalmente se diz democrático.

Cicatrizes de concreto: “macro e micro-história”

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Luana Homma, Lucca Tori e Caio Biz

Há mais de 23 anos um fato marcou a história do mundo e a vida de muitas pessoas: cai o símbolo de uma divisão de mundo em extremos, o muro que separa os lados ocidental e oriental de Berlim é derrubado.

“Linha no asfalto da atual capital da Alemanha unificada, que marca o antigo traçado da muralha que dividiu a cidade por 28 anos”

Para a grande história, é comum que se veja termos para se referir ao muro como: “muro da vergonha”, tragédia e diversos outros – de forma negativa -; vê-se no filme Adeus Lênin (Becker, 2003), no entanto, a história particular de uma família que precisou adaptar seu cotidiano para manter o muro em pé, mesmo quando ele já não existia.

Cena do filme “Adeus Lenin”

Daniel Bruhl é Alexander, um jovem camarada que, em dia de manifestação pela livre circulação em Berlim, vê sua mãe desmaiar enquanto é segurado por um policial que o impede de socorrê-la; oito meses depois, sua mãe acorda do coma, em um mundo completamente diferente ao que vivia. No entanto, ela continua vivendo da mesma forma, pois Alexander não poupa esforços para manter intacto o muro, protegendo sua mãe de viver fortes emoções. Aqui já vemos uma questão importante, uma vez que é possível observar de forma bem clara a rapidez com que os produtos e costumes ocidentais tomaram o espaço dos orientais em questão de pouquíssimo tempo – no drama do jovem é mais possível assimilar de perto esse período, diferente da macro-história.

Irmã de Alex larga os estudos de Teoria Econômica para ser atendente no Burguer King

Cena do filme Adeus Lenin

É também visível no filme a dificuldade em se atravessar o muro – bem como citado no texto de Ana Maria Dietrich, As cicatrizes deixadas pelo Muro de Berlim (http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/as_cicatrizes_deixadas_pelo_muro_de_berlim.html): “Segundo a Procuradoria Geral da República da Alemanha, 270 pessoas morreram ao tentar escapar, e outras 18.300, chamadas de “traidoras da pátria”, foram presas por terem tentado chegar ao lado ocidental” (p. 6) – uma vez que a mãe de Alex combina com seu marido de ir morar no lado ocidental, mas que esta não consegue, por medo.

Cruzes em memória dos que morreram ao tentar atravessar o muro

Também é possível perceber filme que nem só pontos positivos surgiram com a derrubada do “vergonhoso muro”. Muitas vezes quando observamos a macro-história desse caso específico, tendemos a observar mais como uma grande vantagem, onde a população da Alemanha Oriental pode finalmente viver com liberdade de ir e vir e fazer o que bem entendesse – por exemplo, ter maior liberdade de compra de produtos. Isso pôde ocorrer porque havia um grande número de pessoas descontentes com o andar da história da Alemanha Oriental; porém, como o filme consegue mostrar, existiam muitas pessoas que tiveram impactos bastante negativos com essa virada abrupta, como é o caso de um vizinho de Alex – pelo menos duas vezes, ao vê-lo mexendo em coisas da rua comentou: “A isso eles nos levaram, a ter que remexer no lixo”” – ou o professor amigo de sua mãe que diz não ser mais valorizado como antes, agora passando por problemas de alcoolismo.

Cena do filme Adeus Lenin

O interessante do filme foi poder mostrar com bastante sutileza e bom humor essas subjetividades e diferentes percepções do que foi a destruição do muro de Berlim e a mudança simbólica disso para o mundo e para as individualidades.